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  • jornalpoiesis

Por que tu és um poema



Rosangela Ataíde


porque tu és um poema

e escremo-me em tuas entrelinhas,

eu tremo eu arrepio,

eu extinta trema, inexisto.


escrevo-me com cicatrizes de suturas,

tatuagens da vida.


escrevo-me como um corte cirúrgico na ferida cardíaca expondo o que se tem dentro. por vezes o oco, um eco se alguém gritar de susto.


porque tu és um poema debruço-me sobre ti e amparo meu corpo despido,

minha respiração,

meu suor,

minha pálpebra marejada,

minha falta de lira...

minha ira?


e já que és um poema,

sussurras em meu ouvido às 4:15am

e não me deixas dormir antes de lavar-me das palavras não ditas.


em verdade não sei se escrevo-me ou se rabisco-te vulgarmente, medíocre.


mas, como me fizeste chorar no primeiro respiro...

gritei ao parir os meninos,

entristeci no aborto da menina,

morri no sepultamento dos olhos de mel.


ahh!

como tú és um poema,

bem sabes...

es-cre-vo-te-me,


mas nada nos define.

nem a ranhura de uma vírgula.

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