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  • jornalpoiesis

O poeta não tem descanso

Atualizado: 12 de dez. de 2021



Flávia Joss


Tenho aprendido que a poesia brota nos momentos mais inusitados. Era uma manhã de terça-feira, um dia comum. O sol já estalava, mas sentia um ventinho soprar em meus ombros. Ao olhar para o chão, passei a observar os pés das pessoas que passavam por mim. Quanto de cansaço nossos pés carregam? Comecei a pensar nas possibilidades interpretativas daquela palavra... resistência, força, trabalho, jornada...


Entrei em sala de aula, porém a minha mente estava conectada à breve contemplação no trajeto. Enquanto os alunos faziam alguns exercícios peguei um bloquinho e comecei a escrever algumas palavras que brincavam em minha cabeça. A poesia do cotidiano cabe em grandes e pequenos textos ... Uma aldravia? Um aforismo? Um poema repleto de versos brancos e livres? Naquele momento nada saiu. Finalizei meus trabalhos, retornei a minha casa e fui ao salão de beleza. Deitei e a esteticista começou o procedimento.


Ali, na maca, de olhos fechados, os vocábulos que eu rascunhara pela manhã borbulhavam dentro de mim. Mentalmente, fui compondo um texto, ajustava, reorganizava, contava as sílabas poéticas. Senti que seria algo pequeno, um haicai... Fiquei repetindo a construção para não esquecer, já que não podia usar o celular. Caminhei rápido de volta a minha residência na ânsia de registrar meus versos, não queria perde-los por nada.


Vento, sol ardente...

No tapete de asfalto

Seguem pés (des)crentes.


O poeta não tem descanso... E a vida ordinária, no berço da simplicidade, fez-se poesia.


( novembro de 2021)


Flávia Joss (@flaviasjoss_) é escritora, professora de Língua Portuguesa e Literatura, especialista em Gêneros textuais e Interação. Possui cursos de aperfeiçoamento nas áreas de Arte& Espiritualidade, Escrita Criativa

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